23 anos neste novo ciclo de capricórnio de 2008. Não são mais dois patinhos na lagoa. E, ao mesmo tempo, não são 24. Mais pra vinte do que trinta... Daqui a pouco, mais pra trinta do que vinte. Alguns dirão: “ah, você é uma menina, ainda tem a vida inteira pela frente!”. E eu, na minha pequena existência, direi o quanto 23 anos passaram voando. É como pensar nos grandes gênios da antiguidade, que viveram tanto quanto ou menos ainda do que eu. É como conviver com o grande amigo do homem, o cachorro, durante duas de suas vidas inteiras. São, afinal, 23 anos X 365 dias... 8.395 dias de sonhos, amores, trabalhos, realizações, família.
Posso fechar os olhos e lembrar como se fosse hoje do cheiro das tardes da minha infância, dos almoços em família, da minha cara de felicidade em ver meu pai chegar cansado do trabalho, da minha mãe me vestindo de Chiquinha, das latas de leite condensado atacadas por mim e meu irmão nas tardes de Sessão da Tarde. E de como amei e sempre vou amar essa família Osandón!
Posso lembrar como hoje do primeiro emprego, do primeiro amor de criança, do primeiro dia de faculdade (e do último também), das noites em claro estudando e trabalhando. Posso lembrar como hoje do primeiro dia em que briguei na escola, do primeiro mico, dos dias em que perdi pessoas e animais queridos, das decepções, das alegrias, das tristezas.
E quanto mais caminho mais descubro que tenho que caminhar. E quanto mais sonho mais descubro que tenho que sonhar. E quando menos tenho forças para continuar é aí que decido me levantar – e batalhar, sonhar, amar, trabalhar, correr, querer mais ainda. Nessa longa estrada da vida, subir cada degrau não é uma das coisas mais fáceis do mundo. A gente tropeça, cai, levanta, cai de novo e levanta de novo. E, como uma criança que aprende a caminhar, a gente volta pra estrada. Meio sem jeito, querendo enfiar as mãos no bolso.
Às vezes, há uma pedra. E, às vezes, a gente come a pedra. E ela, na maioria das vezes, desce rasgando, levando tudo o que encontra no caminho. Não importa o quanto doa digeri-la, ela será digerida. E a estrada continuará, como deve ser. E, às vezes, a gente ganha. Ahhh, quando a gente ganha, não há sensação melhor.
Estranho é saber como algumas pessoas se divertem com a infelicidade alheia. Estranho é ver como alguns têm que vender o almoço para comprar a janta. Estranho é ver a miséria humana. Estranho não... eu diria terrível, insano, insensato, doloroso. Porque não dói apenas sentir a fome – sim, isso deve doer muito mais, mas dói ver a fome se manifestando. Não é aquela fome de conhecimento não. É aquela fome da miséria, da miséria da África. A fome do pai que divide o pão para os quatro filhos.
Viver não é fácil... mas quem disse que tem que ser? Parou pra pensar como a vida seria chata se tudo fosse um paraíso? São eles, os problemas, que nos edificam, nos transformam, nos fortalecem. E que, no final da vida, fazem cada cabelo branco valer a pena.
terça-feira, 18 de dezembro de 2007
Assinar:
Postar comentários (Atom)
Um comentário:
Postar um comentário